No cenário que vivemos atualmente, é comum observarmos pessoas com ansiedade, esgotamento mental, a sensação de nadar, nadar e não sair do lugar, e por aí vai. E junto com isso, vem algo que aqui, queremos chamar de Miopia do Objetivo.
Consideramos essa “miopia” um padrão de processamento de informações onde a pessoa converge toda a sua energia e métrica de valor para um único desfecho finalista, para um único objetivo, para uma única meta. Como em uma patologia ocular, o sujeito perde a visão de profundidade e de periferia: ele enxerga o alvo com muita nitidez, enquanto as etapas fundamentais de sustentação (estudo, autocuidado, gestão e descanso) tornam-se borrões irrelevantes ou fontes de culpa.
Por exemplo: Uma pessoa tem o foco de alavancar as vendas do seu e-commerce, e enquanto isso não se concretiza, ela não consegue fazer nada além de atividades que estejam destinadas a isso, mesmo que ela faça muito. Então, se ela se pega pensando em fazer algo como descansar, cuidar de si, estudar, tudo isso vira motivo de se culpar ou se torna indispensável, já que diretamente não é algo ligado a sua principal meta. Deu para entender? Você se identifica?
Sob a ótica da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), esse estado não é apenas uma questão de má gestão de tempo, mas sim o resultado de crenças rígidas. Quando o indivíduo opera sob a regra de que meu valor é diretamente proporcional ao meu resultado imediato, qualquer ação que não contribua diretamente para esse fim é interpretada como um desvio ou falha. E então acontecem algumas coisas nesse processo:
- Filtro Mental: A pessoa foca exclusivamente no que falta para atingir a meta, ignorando os progressos em outras áreas essenciais da vida.
- Desqualificação do Positivo: Atividades como estudo, organização e descanso são vistas como perda de tempo, embora sejam o alicerce que sustenta a meta principal.
- Culpabilização: “Eu me sinto culpado por não estar produzindo, logo, o que estou fazendo agora é errado/inútil.”
A ironia desse padrão é que a culpa, longe de servir como motor, atua como um freio. Ao invalidar as tarefas secundárias, a pessoa entra em um estado de inibição. A sensação de peso emocional drena a energia necessária para a execução, resultando em procrastinação e ansiedade. O fim do dia é marcado pela percepção de nada foi feito, reforçando a crença de incapacidade e alimentando um ciclo de baixa autoeficácia.
Para romper esse ciclo é necessário:
- Reatribuição de Valor: É necessário compreender que a meta central é o topo de uma pirâmide. Sem a base (planejamento, saúde mental, tarefas burocráticas), o topo colapsa.
- Ressignificar pensamentos: Substituir o pensamento crítico por afirmações funcionais, como: “Cuidar da minha infraestrutura hoje é o que me permite performar amanhã”.
- Diferenciação entre Urgente e Importante: Utilizar a matriz para validar que tarefas que de fato são urgentes e as que são importante para você e para o seu objetivo.
A saúde mental e a produtividade exigem flexibilidade. Entender que a vida é composta por um ecossistema de ações, e não por um trilho único, é essencial para substituir a culpa pela satisfação do dever cumprido em todas as suas esferas.
Este artigo foi escrito pela equipe de psicologia da nossa clínica. Se você busca por atendimento psicológico especializado, entre em contato pelo WhatsApp para verificar horários de consulta. Atendemos adolescentes e adultos online e presencial (dependendo da disponibilidade de agenda e local)